domingo, 26 de julho de 2015

EU DEFENDO DILMA!!! E EXPLICO!!!



“Como você defende este governo??? Tantas corrupções!!! Tanta roubalheira, tanta crise!!!”
1)      COERÊNCIA: Acredito em um projeto. E o projeto é cíclico. Tirou milhões da pobreza, elevou outros milhões a algum tipo de classe média. Mas é um projeto que depende do mundo real. Como eu, como você, como qualquer mortal.
2)      COMPARAÇÃO: O projeto anterior/oponente é comprovadamente  pior. No final de 2002, quando Lula iria assumir, o desemprego passava dos 15%(o dobro de hoje) e O  Dólar estava mais de R$4,00. O salário mínimo valia menos de 60 dólares (Hoje vale 245 dólares).
3)      HUMANIDADE: O que fazem com a sexagenária Dilma hoje é a campanha mais abominável, medonha e preconceituosa da história desse país. Nunca houve alguém tão vilipendiado, tão descaradamente agredido, tão canalhamente ofendido na história da humanidade como Dilma Roussef. Só por esse fato, já vale a intenção de protegê-la, com muito orgulho.
4)      CALOR HUMANO: O que ocorre contra Dilma é machismo, sexismo, preconceito e ódio contra mulher. Simples Assim.
5)      SINCERIDADE: A crise existe. Mas a elevação da crise a fatores estratosféricos é uma mentira suicida da mídia. Privilegiam notícias negativas escondem as positivas. A Velha Mìdia faz o que sempre fez: seleciona temas.
6)      CARÁTER: O projeto que fez o que sempre defendi é este que aí está: ABORTO, COTAS, REDUÇÃO DA DESIGUALDADE, REDUÇÃO DO RACISMO, DESTRUIÇÃO DA HOMOFOBIA.
7)      GRATIDÃO:  Por que este projeto passa por reformas naturais, que incluem crise. Se a gente for ameaçar o projeto vitorioso em cada crise, com a possibilidade de vitória do projeto da burguesia (PSDB), a gente não passa de gente ingrata. E ingrato eu não sou. Nunca fui, jamais serei.
8)      INTELIGÊNCIA:                 Por que é nos governos petistas que as coisas são efetivamente investigadas. Quem viveu em uma bolha não sabe que o mundo é corrupto, mas pode aprender que o ser humano, INDEPENDENTE DO PARTIDO, pode ser corrupto. E que o PT ficou marcado como corrupto porque foi nos governos petistas que as investigações da PF e do MPF foram autorizadas e incentivadas.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Ser contra cotas raciais é concordar com a perpetuação do racismo

Ser contra cotas raciais é concordar com a perpetuação do racismo

por Djamila Ribeiro publicado 15/07/2015 13h23 
 
Fomos das senzalas às favelas. A maioria da população negra é pobre por conta da herança escravocrata, que deve ser reparada 
 
Fernando Frazão / Agência Brasil
Dia da Consciência Negra
Celebração do Dia da Consciência Negra no Rio de Janeiro, em 2014
É comum algumas pessoas não entenderem por que afirmamos que pessoas contra cotas raciais são racistas. Há quem pense que racismo diz respeito somente a ofensas, injúrias e não percebem o quanto vai muito mais além: se trata de um sistema de opressão que privilegia um grupo racial em detrimento de outro.
No Brasil, foram 354 anos de escravidão, população negra escravizada trabalhando para enriquecer a branca. No pós-abolição, no processo de industrialização do Brasil, incentivou-se a vinda dos imigrantes europeus pra cá. Muitos inclusive receberam terras do Estado brasileiro, ou seja, foram beneficiados por ação afirmativa para iniciarem suas vidas por aqui. Tiveram acesso a trabalho remunerado e, se hoje a maioria de seus descendentes desfrutam de uma realidade confortável foi porque foram ajudados pelo governo pra isso.
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Em contrapartida, para a população negra não se criou mecanismos de inclusão. Das senzalas fomos para as favelas. Se hoje a maioria da população negra é pobre é por conta dessa herança escravocrata e por falta da criação desses mecanismos. É necessário conhecer a história deste País para entender porque certas medidas, como ações afirmativas, são justas e necessárias. Elas precisam existir justamente porque a sociedade é excludente e injusta para com a população negra.
Cota é uma modalidade de ação afirmativa que visa diminuir as distâncias, no caso das universidades, na educação superior. Mesmo sendo a maioria no Brasil, a população negra é muito pequena na academia. E por quê? Porque o racismo institucional impede a mobilidade social e o acesso da população negra a esses espaços.
Pessoas brancas são privilegiadas e beneficiadas pelo racismo. Um garoto branco de classe média, que estudou em boas escolas, come bem, aprende outros idiomas, tem lazer e passa em uma universidade pública, pode se achar o máximo das galáxias, mas na verdade o que ocorre é que ele teve oportunidades na vida pra isso. Qual mérito ele teve? Nenhum. O que ele teve foi condições pra isso.
Um garoto negro pobre, que estuda nas péssimas escolas públicas, come mal, não tem acesso a lazer, para passar em uma universidade terá muito mais dificuldades para isso porque não teve as mesmas oportunidades. Cota não diz respeito a capacidade, capacidade sabemos que temos; cota diz respeito a oportunidades. São elas que não são as mesmas.
Se o Estado brasileiro racista priva a população negra dessas oportunidades é dever desse mesmo Estado construir mecanismos para mudar isso. O movimento negro sempre reivindicou cotas juntamente com a melhoria do ensino de base. Só que, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), demoraria por volta de 50 anos para que a educação de base fosse de qualidade. Quantas mais gerações condenaríamos sem as cotas?
Cotas e investimento no ensino de base não são tópicos excludentes, ao contrário, devem acontecer concomitantemente. Cotas não são pensão da previdência, são medidas emergenciais temporárias que devem existir até as distâncias diminuírem.
Minha avó materna nascida na década de 20 teve de começar a trabalhar aos 9 anos de idade como empregada doméstica. O Estado brasileiro não garantiu seu direito à educação. Ela contava que a patroa colocava um banquinho para que ela alcançasse a pia para lavar as louças enquanto os filhos da patroa estudavam, viajavam, comiam bem.
Joselia Oliveira, atleta de levantamento de peso, possui uma história similar. Trabalhou como empregada, cuidava dos filhos da patroa enquanto os mesmo faziam balé, inglês. “Sou do interior do Rio de Janeiro, aos 6 anos já subia no banquinho para lavar louças e cuidava de crianças menores. Algumas dessas famílias me trouxeram para o Rio de Janeiro com a promessa de cuidarem de mim, mas eu só trabalhava, não recebia salários e ganhava roupas e brinquedos usados. Muitas meninas do meu bairro tiveram o mesmo destino. Só aos 14 anos fui entendendo que aquilo era exploração, mas recuperar tanto tempo perdido não é fácil. Por isso, cotas são necessárias”, diz.
Joselia nasceu em 1978 e ainda enfrentou a mesma realidade de minha avó, o que na verdade é a realidade de muitas mulheres negras. Infelizmente, essa ainda é a regra. E, para se pensar políticas públicas, devemos nos ater à regra e não a exceções. Utilizar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como exemplo, quando a maioria da população negra está na pobreza, é além de um argumento falho, ignorância e má fé.
Logo, ser contra uma medida que visa combater essas distâncias criadas pelo racismo é ser a favor da perpetuação do racismo. E se você se coloca contra, isso te torna o quê?
Pesquisem sobre o conceito de equidade aristotélica (sim, de Aristóteles, o filósofo grego): as ações afirmativas também se baseiam nele, que basicamente significa tratar desigualmente os desiguais para se promover a efetiva igualdade. Ou seja, se duas pessoas vivem em situações desiguais, não se pode aplicar o conceito de igualdade abstrata porque concretamente é a desigualdade que se verifica. Aquela pessoa que está em situação de desigualdade precisa de mecanismos que visem o acesso dela à cidadania.
Em relação a pessoas brancas pobres, existem as cotas para quem é oriundo de escolas públicas, as cotas sociais. Mas as raciais também são necessárias porque pessoas brancas, por mais que pobres, possuem mais possibilidades de mobilidade social, uma vez que não enfrentam o racismo.
Façam um passeio por um shopping center e vejam a cor dos vendedores e vendedoras, das gerentes. Negros são os mais pobres entre os pobres e só a cota social não nos atinge. Beneficiaria somente pessoas brancas.
Cotas raciais porque esse País possui uma dívida histórica para com a população negra. Dizer-se anti-racista e ser contra as cotas é, no mínimo, uma contradição cognitiva e, no máximo, racismo.
Ou se lida com isso ou se repensa e questiona os próprios privilégios. Fazer-se de vítima é reclamar de exclusões que nunca passou.

PAIS NÃO DEVEM TERCEIRIZAR EDUCAÇÃO PARA ESCOLA

Opinião: Pais não devem terceirizar Educação para escola

13 de julho de 2015
" Valores que seriam caros à formação, como a relação dos filhos com colegas ou professores, dependem desta Educação de casa", afirma Mozart Neves Ramos

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP)





A transferência do aluno é uma consequência. Para compreendê-­la, antes é preciso olhar para trás, pois se trata de uma questão complexa. É preciso entender como este processo se efetiva na escola. Há determinadas situações em que devemos olhar, primeiro, para o próprio processo pedagógico da escola. Minha experiência mostra que muitas vezes o aluno pode não se adequar a este projeto. Isto é algo que nem sempre fica claro na escola pública, por exemplo, pois não há uma visibilidade clara do projeto. Quando se matricula o jovem em uma escola particular, sabe­-se exatamente a linha que ela segue.

É preciso pensar, em primeiro lugar, que hoje os pais terceirizam a educação para a escola. Valores que seriam caros à formação, como a relação dos filhos com colegas ou professores, dependem desta educação de casa. Quando deixamos a educação terceirizada, a formação da criança e do jovem é fragilizada. Isso leva à rebeldia e pode até ocasionar o bullying no ambiente escolar, a reprovação, o desentendimento com o professor. O aluno hoje precisa ter maior atenção dos pais e da família para que possa enfrentar essa realidade.

A própria Constituição diz que não é só dos governos a responsabilidade, mas o processo educacional também é da família, da sociedade. Devemos cobrar que haja maior apoio para que se evite uma dimensão maior do que as situações de conflito deveriam ter. Imagine o caso da criança ou do jovem que mudou de escola diversas vezes. Ele vai simplesmente desistir e pensar que não se adequa mais em lugar nenhum, a nenhuma instituição. É uma pessoa emocionalmente derrotada. Devemos pensar em formas de melhorar o clima nas relações internas, uma questão anterior à discussão da transferência compulsória.

Mozart Neves Ramos é educador e presidente da Fundação Ayrton Senna

 

Por que eu tenho que aprender aquilo que já está no Google?

¿Por qué tengo que aprender lo que ya está en Google?




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Hace días en una de las charlas a profesores aula, los docentes compartían sus mayores dificultades en la sala del siglo XXI.
Una que era común a todos, era la resistencia general de los niños a investigar, aprender, trabajar lo que ya se encuentra en Google.
¿Por qué hacer lo que ya está? ¿Por qué crear lo que puedo encontrar en la web y en tantas versiones como un alumno podría soñar?
A lo que se le sumaba la doble tarea que significaba evaluar las fuentes que habían utilizado los niños o el porcentaje de copy/paste que habían incorporado.
La tarea era cuesta arriba, primero motivarlos, luego pasar horas eternas evaluando y contrastando en la web, la originalidad del trabajo.
Obviamente la respuesta fue clara, si no establecen el aprendizaje como un desafío continuo, tendrán en el aula hábiles boicoteadores.
Los Hijos de la Tecnología viven, navegan y existen en la Internet, por ende dominan todo lo que en ella sucede y ante el mínimo esfuerzo, usarán lo que se encuentra en ella para luego compartirlo con sus pares.
Son prácticos, optimizan su tiempo y asumen que todo lo que no les aporta es un mero trámite que es necesario cumplir.
Desarrollar nuevas estrategias de aprendizaje son existenciales tanto como comprender que en la sala de clases hay nuevos niños que piensan, crean y comparten de manera diametralmente diferente que hace décadas atrás.
¿Qué hacer?
Proponer nuevos espacios de aprendizaje. Hace años opté por el mundo digital ocupando plataformas, blogs, redes, donde no solo publico todos los contendidos a trabajar en el año, también las evaluaciones y recursos digitales para que los padres participen. Versiones diferentes para cada tema, dependiendo de las habilidades y competencias naturales de los alumnos.
Dejarlo liderar, cooperar, alimentar su senda de crecimiento personal. Hace mucho tiempo deje de ser quien protagoniza la clase, si alguien ingresara a ella, vería una colmena en acción, donde a lo más soy una obrera con más años que el resto. Todos participan y trabajan a su ritmo, con intervenciones continuas donde se comparten lo que se investiga, crea o genera.
Los resultados que tanto aman los tecnócratas son geniales, cursos cuya media era 5,0 ( escala 1 a 7), superan en promedios 6,5.
Motivados, participativos, lideres de su aprendizaje. Son los Hijos del Futuro Presente

Marcelo Momberg é educador e editor do blog "Educación 2.0 y Redes Sociales"

terça-feira, 14 de julho de 2015

Professora é baleada dentro de escola durante ação policial no Rio

14/07/2015 11h22 - Atualizado em 14/07/2015 11h40

Professora é baleada dentro de escola durante ação policial no Rio

Até as 11h15 não havia informações sobre estado de saúde da vítima.
Cerca de 5.645 alunos da rede municipal ficaram sem aula na região.

Do G1 Rio

Uma professora da rede municipal de ensino foi baleada dentro de uma escola no Conjunto de Favelas do Chapadão, na Zona Norte do Rio, durante uma operação policial na região na manhã desta terça-feira (14). De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), até as 11h15 não havia informações sobre o estado de saúde da vítima.
Ainda segundo a SME, cerca de 5.645 alunos de oito escolas, três creches e dois Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI), ficaram sem atendimento na região.

Em nota, a rede estadual de ensino informou que suas unidades escolares estavam funcionando normalmente. A Secretaria Estadual ainda disse que "de um modo geral, nesta terça, os colégios estão realizando Conselho de Classe".
Operação policial
Policiais da 40ª DP (Honório Gurgel) realizam na manhã desta terça  (14) uma operação contra um grupo de criminosos que atua em comunidades do Rio e da Baixada Fluminense. De acordo com a corporação, a ação visa reprimir o tráfico de drogas e o roubo de carros e cargas na região.
Os agentes estão cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão nas comunidade do Chapadão, em Honório Gurgel, e Anchieta, além de Nilópolis e Nova Iguaçu. A operação conta com apoio de diversas delegacias e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). Até as 9h não havia informações sobre confrontos, presos e apressões.

PROIBIDÃO É CULTURA? (Por Luiz Antonio Simas)

PROIBIDÃO É CULTURA?

Lá vou eu dar uma opinião e me enfiar em confusão sobre o "proibidão". Me perguntam aqui se eu acho que é cultura e se deve ser considerado crime. A pergunta certamente se refere a uma reportagem que saiu em O Globo sobre esse debate.

Imediatamente me recordei de um texto antigo do Joaquim Ferreira dos Santos, no mesmo O Globo, em que ele se manifestava contra a venda de mate de latão nas nossas praias. O jornalista, em certo momento do arrazoado, tentou ser engraçado e lançou na ocasião duas pérolas dignas de sambadinhas do Rubinho Barrichello no pódium. A primeira: "Abaixo a depressão dos falsos civilizados e consagre-se no poder o viés africano que nos vai na veia". A segunda: "A malandragem, foi dito na reunião da secretaria, é cultura".
A primeira sentença é um primor. A bandalheira é ironizada como a supremacia criadora do viés africano que nos vai na veia e o sabichão alfineta os que ressaltam a importância das áfricas que forjaram boa parte da cidade. Joaquim exerce aqui duas lições que andam fazendo a cabeça de muita gente: sabem um pouco de tudo e não entendem profundamente de nada e são incapazes de pensar o presente com uma perspectiva mais reflexiva sobre o passado que o gerou.

Não custa repetir: a exclusão social no Brasil foi um projeto de Estado. A República fechou as portas, após a abolição da escravatura no final do Império, a qualquer projeto de integração dos descendentes de escravizados no mercado formal de trabalho e no exercício pleno da cidadania. A cultura da informalidade, portanto, é decorrente em larga medida (é, por outro lado, opção) da falta de alternativa. Se é boa ou ruim é outro papo. O que interessa é que ela existe e não é fruto de viés que vai na veia - é estratégia de sobrevivência.

Aproveito o mote do parágrafo acima para dizer com toda a convicção: Malandragem é cultura.
Ou ainda estamos na fase de confundir cultura com evento? Cultura não é coisa naturalmente boa ou ruim, caceta. Cultura é a maneira como um grupo cria ou reelabora formas de [re]invenção da vida e estabelece significados sobre a realidade que o cerca. As maneiras de falar, vestir, comer, rezar, punir, matar, nascer, enterrar os mortos, chorar, festejar, envelhecer, dançar, não dançar, fazer música, silenciar, gritar... tudo isso é componente da cultura de um grupo.

Há no Rio de Janeiro uma cultura da informalidade absolutamente arraigada ao cotidiano do carioca. Quem quer que faça juízo de valor, mas nessa eu não caio. Essa cultura se estabelece entre as frestas deixadas por um poder público que historicamente se preocupou mais em reprimir do que em incluir.
Eu estudo o samba urbano e sei que ele foi tremendamente perseguido, como até o Cristo Redentor sabe. Desde a Era Vargas o processo de legitimação do samba se impôs - entre negociações, domesticações, adequações e resistências - e quebrou as bordunas e cacetes da polícia. Candeia, entretanto, sabia que não era suficiente legitimar o samba como manifestação de fundamento da cultura carioca. O dia de graça só virá mesmo, na visão dele, quando o sambista conseguir cantar o samba na universidade, na condição de aluno ou professor.

Não me interessa neste caso manifestar meu gosto pessoal - marcado por questões subjetivas, circunstâncias de vida, hábitos e que tais - sobre o proibidão. É cultura, fato social relevante e pronto. A questão deste debate, para mim, não é estética. Me parece mais uma velha mania nossa, os iluminados, de achar que certos segmentos sociais tem que ter o gosto pautado por aquilo que nós achamos que é cultura.
Isso me parece tão óbvio, confesso, que não tenho nem ânimo para discutir. E mais não digo, já que tem muita gente mais capacitada para pensar isso do que eu. A minha resposta a uma pergunta simples é essa. Segue o barco.

PS: outro dia escutei um funk na rua. Não entendo nada da estética do babado, o que é um problema meu. A base percussiva, todavia, era um alujá de Xangô. Da estética do funk, repito, eu não entendo nada. Mas um alujá eu reconheço de longe.

LUIZ ANTÔNIO SIMAS é professor de história.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

AS SALAS DE AULA VÃO DEIXAR DE EXISTIR

Pelo fim da sala de aula

Com tecnologia, as escolas podem romper o modelo de ensino tradicional. É preciso só coragem para começar

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Luciana Maria Allan* - Info - 09/2014
Zuza Ritt/creative commons


A palavra Escola tem origem no grego scholé, que significa, curiosamente, lugar do ócio. Fundadas por filósofos na Grécia, as escolas eram espaços para ocupar o tempo livre e refletir, geralmente enfatizando uma área específica do conhecimento. Os alunos estudavam informalmente, sem que fossem separados por séries e em salas de aula, e as disciplinas eram ensinadas por um modelo pedagógico de questionamentos.

Foi somente no século 12 que surgiram as escolas como conhecemos hoje, com crianças enfileiradas e professores como os únicos detentores do conhecimento. Centenas de anos depois, no século 19, as aulas passaram a ser divididas em disciplinas básicas, como ciências, matemática, história e geografia. E nunca mais isso mudou.

Divulgação
Até hoje o aluno exerce um papel coadjuvante no processo de aprendizado. Sufocado em aulas entediantes e soterrado por conteúdos, a única indagação que faz é "por que tenho de aprender isso?" Para passar de ano e ser avaliado no funil estreito do vestibular. E mais nada. Mas, quando chegar a hora de entrar no mercado de trabalho, de que irá adiantar ter decorado a musiquinha da tabela periódica?

Com a digitalização e a organização do conhecimento em bancos de dados, as escolas da geração C, da geração conectada, que não conhece um mundo sem internet, tablets e smartphones, começam a romper com os modelos tradicionais de ensino para colocar os alunos como protagonistas da construção de seu futuro. É chegada a hora de virar a mesa (ou a carteira) e começar a aprender o que realmente interessa.

Essa transformação vem sendo liderada por empresas como a Knewton, que criou um sistema de aplicação do conceito de big data na educação, um ensino adaptativo, personalizado para cada aluno e capaz de envolver, engajar e entender quais são as dificuldades e os próximos conteúdos a ser estudados para uma evolução de acordo com as necessidades e as particularidades de cada aluno.

Atuando como mentores, os professores passam a inspirar e a orientar. Acompanham os alunos na leitura de textos, nos vídeos que assistem, nas tarefas em que têm mais dificuldades. Podem testar qual metodologia de ensino alcança maior engajamento e analisar os melhores resultados de acordo com as habilidades de cada estudante.

Com a adoção da tecnologia de cruzamento de dados estruturados em conteúdos multimídia, os alunos não mais assistem às mesmas aulas, ministradas por um professor postado em um pedestal. Com o big data, no lugar de provas, os alunos são avaliados por suas competências, e não mais como another brick in the wall (referência à música protesto do grupo Pink Floyd), e pela evolução nos exercícios e conteúdos acessados no software educacional.

Milhares de alunos concluem a faculdade e tentam ingressar no mercado de trabalho todos os anos, mas alegam ser muito difícil encontrar o primeiro emprego. As empresas, por sua vez, dizem que não conseguem preencher as vagas porque não há profissionais preparados para os desafios de uma economia cada vez mais global e competitiva.

As escolas que têm a coragem de quebrar as fronteiras das salas de aula e que respeitam a individualidade de seus alunos podem preencher esse gap. As que resistem continuam formando só mais um tijolo na parede.

*Luciana Maria Allan é diretora do Instituto Crescer para a Cidadania. Doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), tem especialização em tecnologias aplicadas à educação

Pessoas,

Estamos provisoriamente instalados em uma plataforma blogger. As primeiras postagens do nosso site deverão ser acessadas a partir deste endereço. Até o final deste ano migraremos para o endereço www.eugenioraggi.com.br. O nosso espaço virtual será um fórum democrático para debates, diálogos, exposições, ensaios e pontos de vista com enfoque especial na educação, mas sem perder o foco na cultura e na política.Curtam, acessem, comentem, divulguem, contribuam, participem sempre!! Sejam bem vindos!!