quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Internet chega à escola pública, mas não aos alunos

Segundo estudo, geralmente, conexão oferecida pelo governo atende apenas as atividades administrativas

Fonte: Valor Econômico (SP)





Os números oficiais sobre o nível de conectividade das Escolas públicas brasileiras sugerem que o Brasil tem avançado a passos largos ao atingir a marca de 84,5 mil instituições de Ensino fundamental e médio, urbanas e rurais, com acesso à internet banda larga. Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Brasileiros da Columbia University (EUA), em parceria com a empresa americana Qualcomm, indica, no entanto, que o uso das tecnologias da informação e comunicação no ambiente Escolar não anda tão bem como mostram as estatísticas do governo.

O estudo considera que o acesso à internet oferecido gratuitamente às Escolas, na maioria dos casos, não está à disposição dos Alunos. Geralmente, a conexão oferecida pelo governo (estadual, municipal ou federal) atende apenas as atividades administrativas, seja por receio de uso indevido ou limitação da rede.
As 84,5 mil Escolas registradas nas estatísticas do governo são conectadas gratuitamente pelo programa federal Banda Larga nas Escolas. Algumas secretarias estaduais e municipais de Educação se encarregaram de contratar a própria internet. O estudo informa que as Escolas públicas de Curitiba, por exemplo, possuem melhor desempenho de conexão, com velocidade igual ou superior a dez megabits por segundo (Mbps).

O levantamento foi realizado também nas cidades de Brasília, Goiânia, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os diretores de tecnologia da informação ligados às secretarias de Educação afirmaram que seria necessário uma conexão de 34 Mbps para oferecer o uso gratuito de internet sem fio (Wi-Fi) a uma instituição com aproximadamente mil Alunos. Esse desempenho é encontrado em apenas 2% das Escolas.

A velocidade de conexão nos colégios públicos é considerada baixa pelos autores da pesquisa. Eles constataram que 50% dos acessos têm atingem até 2 Mbps. Essa questão é tratada na pesquisa como um "problema nacional", que coloca o país, com velocidade média de 2,6 Mbps, na 87ª posição do ranking global. Na lista liderada por Coreia do Sul e Japão, a velocidade média dos países pesquisados ficou em 3,9 Mbps.

A proposta da pesquisa, financiada pela Qualcomm, empresa especializada em tecnologias móveis, é aprofundar o debate sobre o uso de dispositivos sem-fio no ambiente Escolar. Com o nome "Aprendizagem Móvel no Brasil: Gestão e Implementação das Políticas Públicas Atuais e Perspectivas Futuras", o resultado foi divulgado na semana passada, em Brasília.

"Constatamos sérios problemas na Educação do país quando vemos que Alunos não aprendem o que deveriam aprender. Talvez a tecnologia bem empregada possa diminuir a brecha entre o Brasil e o mundo nos indicadores de Educação", disse o presidente da Qualcomm para a América Latina, Rafael Steinhauser.

O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão, admite que há espaço para aperfeiçoamento do programa federal. Segundo ele, existem realidades "bastante diversas" no conjunto de Escolas urbanas e rurais que tem a situação monitorada permanentemente pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e os órgãos do Ministério da Educação.

O diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Columbia University, Gustavo Azenha, defende a preservação de três pilares para se obter avanços no uso de tecnologias nas Escolas: a infraestrutura, o conteúdo digital e a capacitação dos Professores. "Essas três dimensões precisam ser trabalhadas juntas com objetivos claros de Ensino. Só assim a iniciativa terá um impacto interessante dentro e fora de sala da aula", afirmou Azenha. Ele assina o estudo com a pesquisadora Fernanda Rosa.

A pesquisa ressalta que a maior parte dos Professores brasileiros aprende a usar as tecnologias por conta própria, sem o apoio dos órgãos de Educação. Ao observar o comportamento dos Professores foram apontados alguns perfis na relação com as tecnologias.
Para os autores, o sucesso das tecnologias passa, necessariamente, pela garantia de continuidade dos programas educacionais, pelo cumprimento de seu tempo de maturação e pela avaliação e validação constante dos resultados.

Reportagem publicada somente em veículo impresso

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A Rigor mesmo...

A RIGOR, A RIGOR...

A rigor mesmo, para nunca ser hipócrita, as únicas pessoas que tem moral e legitimidade para protestarem contra a corrupção no Brasil são aquelas que sempre votaram branco ou nulo ou aquelas que jamais votaram em um candidato dos partidos tradicionais, ou seja: todos aqueles que recebem ~doações eleitorais~ de empreiteiras e prestadoras de servições públicos.

Portanto, se você foi eleitor de Dilma, Aécio, Marina, Eduardo Jorge, Pastor Everaldo, Levy Fidelix ou Eymael, você não tem o direito de se indignar com a corrupção!

Você votou sabendo que todos estes candidatos recebem dinheiro de empresas que celebram contratos milionários com o governo e, se você preza pela mínima decência de sua biografia, considerando a pedra fria da moral, não saia de casa pregando aquilo que você não faz quando está diante de uma urna.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A FARSA DAS ~MELHORES ESCOLAS~



É uma farsa!! O ranking do INEP com base na prova objetiva do ENEM não é um indicativo de que uma escola é boa ou ruim, pior ou melhor do que outra; as chamadas e autointituladas ~melhores escolas~, na maioria esmagadora dos casos, são aquelas que mais excluem, segregam, expulsam e marginalizam crianças e adolescentes, são as chamadas "escolas peneiras", que não transformam ninguém e só sabem executar seu trabalho competitivo com os alunos já prontos, adestrados, previamente disciplinados e com dedicação natural e gosto pelos estudos. A escola humanista, aquela que acolhe, que transforma, que inclui, que acredita nas crianças e adolescentes, não se sai bem neste ~ranking~.



Daí fica a pergunta: a boa escola é aquela que "escolhe" trabalhar apenas com alunos considerados bons e exclui todos aqueles com dificuldades de aprendizagem e comportamento ou aquela que muda vidas, que recupera pessoas, que transforma a sociedade??

http://www.otempo.com.br/cidades/minas-tem-19-escolas-na-lista-das-100-melhores-do-pa%C3%ADs-1.1080373

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

POR QUE DIRCEU FOI PRESO?

POR QUE DIRCEU FOI PRESO?

1) Por que havia uma dispersão clara nos movimentos antipetistas. A manifestação marcada para o dia 16 já era vista até mesmo pelos tucanos com uma possibilidade fracasso retumbante. A prisão de Dirceu em data intencionalmente próxima àquela marcada para os ~protestos~ é uma chance de retomada de fôlego para o ~movimento~;

2) A mesma empresa que pagou "consultorias" a José Dirceu, pertencente ao delator José Adolfo Pascowitch, também arcou com centenas de pagamentos de consultorias a mais de 70 empresas constituídas com a mesma finalidade da empresa de Dirceu. A Jamp pagou valores muito mais vultosos a empresas muito mais jovens e menores, mas nenhum de seus donos foi preso por conta disso. Sequer estão sendo investigados. A única empresa investigada pelas relações com a Jamp é a JD Advocacia.

3) Dirceu é considerado até hoje, pela mídia conservadora e pela subaristocracia brasileira, o grande "culpado" pela vitória do PT. Dirceu foi o mentor, o executor, o cara que teve peito pra transformar a utopia de mudar o Brasil em realidade. Dirceu tem coragem, brio e estômago. É um tipo refinado, porém ineficaz, de vingança. Querem torturá-lo, sangrá-lo. Coisa de gente mesquinha, manipuladora e recalcada, uma síntese de nossa elite.

4) Não se trata de uma prisão política. A prisão se fundamenta em uma lógica jurídica de conveniência, uma aberração doutrinária que entrega o poder de selecionar os "investigados" a um grupo restrito, partidarizado e cuidadosamente aparelhado pela faceta mais reacionária da mídia, principalmente a Veja.

5) Não afirmo, de maneira alguma, a inocência de José Dirceu, muito menos sua culpa. Sua prisão, tendo em vista que já cumpria prisão domiciliar, é uma excrescência, um ato puramente escandalizador e midiático com a única finalidade de mobilizar os setores conservadores em mais uma cruzada golpista; plano alternativo imoral para uma estratégia de remobilização dos movimentos de extrema direita.

MAIS R$5,2 BI PARA O FIES!

Governo edita MP com crédito de R$5,2 bi para atividades do Fies

(Reuters) - O governo federal editou na quinta-feira a Medida Provisória 686 que abre crédito extraordinário de 5,2 bilhões de reais para atividades do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
A MP, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, abre também crédito de 4,6 bilhões de reais para subvenção em operações no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e do Programa Emergencial de Recuperação de Municípios Afetados por Desastres Naturais

domingo, 26 de julho de 2015

EU DEFENDO DILMA!!! E EXPLICO!!!



“Como você defende este governo??? Tantas corrupções!!! Tanta roubalheira, tanta crise!!!”
1)      COERÊNCIA: Acredito em um projeto. E o projeto é cíclico. Tirou milhões da pobreza, elevou outros milhões a algum tipo de classe média. Mas é um projeto que depende do mundo real. Como eu, como você, como qualquer mortal.
2)      COMPARAÇÃO: O projeto anterior/oponente é comprovadamente  pior. No final de 2002, quando Lula iria assumir, o desemprego passava dos 15%(o dobro de hoje) e O  Dólar estava mais de R$4,00. O salário mínimo valia menos de 60 dólares (Hoje vale 245 dólares).
3)      HUMANIDADE: O que fazem com a sexagenária Dilma hoje é a campanha mais abominável, medonha e preconceituosa da história desse país. Nunca houve alguém tão vilipendiado, tão descaradamente agredido, tão canalhamente ofendido na história da humanidade como Dilma Roussef. Só por esse fato, já vale a intenção de protegê-la, com muito orgulho.
4)      CALOR HUMANO: O que ocorre contra Dilma é machismo, sexismo, preconceito e ódio contra mulher. Simples Assim.
5)      SINCERIDADE: A crise existe. Mas a elevação da crise a fatores estratosféricos é uma mentira suicida da mídia. Privilegiam notícias negativas escondem as positivas. A Velha Mìdia faz o que sempre fez: seleciona temas.
6)      CARÁTER: O projeto que fez o que sempre defendi é este que aí está: ABORTO, COTAS, REDUÇÃO DA DESIGUALDADE, REDUÇÃO DO RACISMO, DESTRUIÇÃO DA HOMOFOBIA.
7)      GRATIDÃO:  Por que este projeto passa por reformas naturais, que incluem crise. Se a gente for ameaçar o projeto vitorioso em cada crise, com a possibilidade de vitória do projeto da burguesia (PSDB), a gente não passa de gente ingrata. E ingrato eu não sou. Nunca fui, jamais serei.
8)      INTELIGÊNCIA:                 Por que é nos governos petistas que as coisas são efetivamente investigadas. Quem viveu em uma bolha não sabe que o mundo é corrupto, mas pode aprender que o ser humano, INDEPENDENTE DO PARTIDO, pode ser corrupto. E que o PT ficou marcado como corrupto porque foi nos governos petistas que as investigações da PF e do MPF foram autorizadas e incentivadas.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Ser contra cotas raciais é concordar com a perpetuação do racismo

Ser contra cotas raciais é concordar com a perpetuação do racismo

por Djamila Ribeiro publicado 15/07/2015 13h23 
 
Fomos das senzalas às favelas. A maioria da população negra é pobre por conta da herança escravocrata, que deve ser reparada 
 
Fernando Frazão / Agência Brasil
Dia da Consciência Negra
Celebração do Dia da Consciência Negra no Rio de Janeiro, em 2014
É comum algumas pessoas não entenderem por que afirmamos que pessoas contra cotas raciais são racistas. Há quem pense que racismo diz respeito somente a ofensas, injúrias e não percebem o quanto vai muito mais além: se trata de um sistema de opressão que privilegia um grupo racial em detrimento de outro.
No Brasil, foram 354 anos de escravidão, população negra escravizada trabalhando para enriquecer a branca. No pós-abolição, no processo de industrialização do Brasil, incentivou-se a vinda dos imigrantes europeus pra cá. Muitos inclusive receberam terras do Estado brasileiro, ou seja, foram beneficiados por ação afirmativa para iniciarem suas vidas por aqui. Tiveram acesso a trabalho remunerado e, se hoje a maioria de seus descendentes desfrutam de uma realidade confortável foi porque foram ajudados pelo governo pra isso.
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Em contrapartida, para a população negra não se criou mecanismos de inclusão. Das senzalas fomos para as favelas. Se hoje a maioria da população negra é pobre é por conta dessa herança escravocrata e por falta da criação desses mecanismos. É necessário conhecer a história deste País para entender porque certas medidas, como ações afirmativas, são justas e necessárias. Elas precisam existir justamente porque a sociedade é excludente e injusta para com a população negra.
Cota é uma modalidade de ação afirmativa que visa diminuir as distâncias, no caso das universidades, na educação superior. Mesmo sendo a maioria no Brasil, a população negra é muito pequena na academia. E por quê? Porque o racismo institucional impede a mobilidade social e o acesso da população negra a esses espaços.
Pessoas brancas são privilegiadas e beneficiadas pelo racismo. Um garoto branco de classe média, que estudou em boas escolas, come bem, aprende outros idiomas, tem lazer e passa em uma universidade pública, pode se achar o máximo das galáxias, mas na verdade o que ocorre é que ele teve oportunidades na vida pra isso. Qual mérito ele teve? Nenhum. O que ele teve foi condições pra isso.
Um garoto negro pobre, que estuda nas péssimas escolas públicas, come mal, não tem acesso a lazer, para passar em uma universidade terá muito mais dificuldades para isso porque não teve as mesmas oportunidades. Cota não diz respeito a capacidade, capacidade sabemos que temos; cota diz respeito a oportunidades. São elas que não são as mesmas.
Se o Estado brasileiro racista priva a população negra dessas oportunidades é dever desse mesmo Estado construir mecanismos para mudar isso. O movimento negro sempre reivindicou cotas juntamente com a melhoria do ensino de base. Só que, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), demoraria por volta de 50 anos para que a educação de base fosse de qualidade. Quantas mais gerações condenaríamos sem as cotas?
Cotas e investimento no ensino de base não são tópicos excludentes, ao contrário, devem acontecer concomitantemente. Cotas não são pensão da previdência, são medidas emergenciais temporárias que devem existir até as distâncias diminuírem.
Minha avó materna nascida na década de 20 teve de começar a trabalhar aos 9 anos de idade como empregada doméstica. O Estado brasileiro não garantiu seu direito à educação. Ela contava que a patroa colocava um banquinho para que ela alcançasse a pia para lavar as louças enquanto os filhos da patroa estudavam, viajavam, comiam bem.
Joselia Oliveira, atleta de levantamento de peso, possui uma história similar. Trabalhou como empregada, cuidava dos filhos da patroa enquanto os mesmo faziam balé, inglês. “Sou do interior do Rio de Janeiro, aos 6 anos já subia no banquinho para lavar louças e cuidava de crianças menores. Algumas dessas famílias me trouxeram para o Rio de Janeiro com a promessa de cuidarem de mim, mas eu só trabalhava, não recebia salários e ganhava roupas e brinquedos usados. Muitas meninas do meu bairro tiveram o mesmo destino. Só aos 14 anos fui entendendo que aquilo era exploração, mas recuperar tanto tempo perdido não é fácil. Por isso, cotas são necessárias”, diz.
Joselia nasceu em 1978 e ainda enfrentou a mesma realidade de minha avó, o que na verdade é a realidade de muitas mulheres negras. Infelizmente, essa ainda é a regra. E, para se pensar políticas públicas, devemos nos ater à regra e não a exceções. Utilizar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como exemplo, quando a maioria da população negra está na pobreza, é além de um argumento falho, ignorância e má fé.
Logo, ser contra uma medida que visa combater essas distâncias criadas pelo racismo é ser a favor da perpetuação do racismo. E se você se coloca contra, isso te torna o quê?
Pesquisem sobre o conceito de equidade aristotélica (sim, de Aristóteles, o filósofo grego): as ações afirmativas também se baseiam nele, que basicamente significa tratar desigualmente os desiguais para se promover a efetiva igualdade. Ou seja, se duas pessoas vivem em situações desiguais, não se pode aplicar o conceito de igualdade abstrata porque concretamente é a desigualdade que se verifica. Aquela pessoa que está em situação de desigualdade precisa de mecanismos que visem o acesso dela à cidadania.
Em relação a pessoas brancas pobres, existem as cotas para quem é oriundo de escolas públicas, as cotas sociais. Mas as raciais também são necessárias porque pessoas brancas, por mais que pobres, possuem mais possibilidades de mobilidade social, uma vez que não enfrentam o racismo.
Façam um passeio por um shopping center e vejam a cor dos vendedores e vendedoras, das gerentes. Negros são os mais pobres entre os pobres e só a cota social não nos atinge. Beneficiaria somente pessoas brancas.
Cotas raciais porque esse País possui uma dívida histórica para com a população negra. Dizer-se anti-racista e ser contra as cotas é, no mínimo, uma contradição cognitiva e, no máximo, racismo.
Ou se lida com isso ou se repensa e questiona os próprios privilégios. Fazer-se de vítima é reclamar de exclusões que nunca passou.